segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Os "genes saltadores" podem ser um dos responsáveis pelo envelhecimento (mas estamos aprendendo a bloqueá-los)


Por que envelhecemos é uma pergunta antiga que a ciência tenta responder a algum tempo. Existem várias hipóteses para tentar explicar porque ficamos velhos (eu já escrevi sobre envelhecimento aqui, aqui e aqui). Alguns cientistas defendem que os radicais livres naturalmente produzidos pelo nosso corpo vão danificando as estruturas das células com o passar do tempo, envelhecendo o organismo. Outros acham que a capacidade máxima de duplicação das células impede a substituição de células doentes no organismo mais velho, causando envelhecimento. Outros grupos têm outras explicações. Como é comum na Biologia, é provável que a resposta correta seja uma mistura de todas elas.

Uma nova hipótese foi proposta recentemente, depois que mais dados científicos foram obtidos. Nela, os cientistas propõem que o envelhecimento seja causado pelo aumento da atividade de retrotransposons.

Que raio é isso?!?

Retrotransposons são genes que ocupam a maior parte do nosso genoma, mas parecem não ter nenhuma função além de se multiplicar e causar problemas. Eles conseguem se duplicar sozinhos, como um vírus, e colocar essa nova cópia produzida em outra parte do genoma. Por isso foram apelidados de “genes saltadores”. O problema é que essa nova cópia pode se inserir em qualquer parte do genoma, inclusive dentro de um gene funcional e importante para a célula. Isso pode afetar a atividade do gene e matar a célula ou, pior, causar uma disfunção como câncer. Dessa forma, os genes saltadores são perigosos e nossas células desenvolveram formas de mantê-los inativos.

Os transposons foram descobertos pela cientista americana Barbara McClintock, em estudos de genética com milho. Ela foi laureada com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1983.

Por algum tempo, se pensou que os genes saltadores só conseguiam escapar do controle do organismo nas células sexuais (espermatozoides e óvulos). Porém, mais recentemente, novos dados mostraram que existe uma pequena quantidade de atividade desses genes mesmo nas outras células.

No ano passado, cientistas americanos estudaram como as células regulam a atividade dos genes saltadores e a sua relação com o envelhecimento. Os pesquisadores descobriram que uma proteína (chamada de Sirt6) é importante para desligar a atividade dos genes saltadores. O que é interessante, porque já se sabia que essa proteína está relacionada com envelhecimento. Camundongos que não têm Sirt6 envelhecem mais rápido, enquanto animais que tinham uma maior quantidade da proteína viviam mais tempo e melhor.

Depois os cientistas mediram a atividade dos genes saltadores em células em cultura novas ou “velhas” e viram que as células mais velhas tinham atividade maior. A mesma coisa se repetiu quando os pesquisadores compararam cérebro e fígado de camundongos novos e idosos.

Em seguida, os cientistas expuseram os animais à radiação para causar danos ao DNA, assim como um excesso de radicais livres poderia fazer. A radiação aumentava a atividade dos genes saltadores. Esse resultado é interessante porque pode juntar duas hipóteses sobre a causa do envelhecimento: os radicais livres e os genes saltadores, ajudando a construir um quadro mais claro do que acontece.

Por fim, os pesquisadores mostraram que em camundongos que tem uma maior quantidade de Sirt6, o efeito da idade e da radiação sobre a atividade dos genes saltadores é menor. Ou seja, caso a Ciência consiga criar uma droga capaz de aumentar a quantidade ou atividade dessa proteína nas pessoas, seria possível combater uma das causas hipotéticas do envelhecimento e atrasa-lo.

Referência
 

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