sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Por que comemos com os olhos?



Acabamos de sair das comemorações de Natal e provavelmente você passou por essa situação: uma mesa bem farta, com diferentes quitutes, como um lombo de porco bem suculento assado na cerveja preta, um peru bem dourado com arroz à grega ou um bacalhau preparado à moda portuguesa. E claro, rabanadas com bastante açúcar e canela, torta alemã, pavê de limão e sorvetes diversos para sobremesa. Deu água na boca, só de imaginar? Repare que eu não te mostrei uma foto ou enviei um cheirinho por aqui. Você só imaginou. Como isso acontece? Como ficamos salivando só de ver a mesa posta, mas sem poder comer antes da meia-noite (senão a sua tia tradicional vai fazer bico)? E, talvez mais importante, por que isso acontece?

Ivan Pavlov (Fonte: Wikipedia)
Salivar só de ver comida é um reflexo condicionado, estudado desde muito tempo. Na virada do século XIX para  XX, o cientista russo Ivan Pavlov, que trabalhou na Universidade de São Petersburgo, se debruçou sobre esse problema com experimentos hoje clássicos da fisiologia. Vou descrever aqui o considerado mais importante. Pavlov usava cachorros como modelo experimental. Primeiramente, Pavlov mediu a secreção de saliva dos seus cachorros. Obviamente, a quantidade de saliva produzida aumentava quando eles eram alimentados. Depois, Pavlov começou a alimentar os animais junto com um estímulo independente da comida (classicamente o toque de um sino). Por fim, Pavlov tocou apenas o sino, sem dar comida aos cachorros. Resultado: a produção de saliva aumentava! Ou seja, o cão associou o som do sino com a comida e assim começava a babar mesmo sem nenhum sinal direto da comida. E Pavlov não parou aí: ele mostrou que o mesmo acontecia quando ele media a secreção de suco estomacal ou de enzimas digestivas do pâncreas. Todo o sistema digestivo do cão estava esperando a ração! Pavlov também provou que esse condicionamento depende do sistema nervoso: quando ele cortava cirurgicamente nervos específicos do corpo do cachorro, a relação não era feita. Os resultados foram publicados no livro “The Work of the Digestive Glands” (O Trabalho das Glândulas Digestivas, em tradução livre) e deram a Pavlov o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1904.

Localização do hipotálamo (Adaptado de Organsofthebody.com)
Esses experimentos foram feitos há mais de 100 anos. Hoje sabemos que isso é verdade para muitos (senão todos) os mamíferos estudados, incluindo a gente. Mas como isso acontece? Os estímulos externos, como a visão da comida ou o aroma dela, agem sobre o cérebro, ativando o trabalho de uma região específica, chamado de hipotálamo. O hipotálamo, por sua vez, passa a informação para o centro salivar. Esse último controla a produção de saliva nas diferentes glândulas salivares presentes na nossa boca. Mas como Pavlov mostrou com os cachorros, o cérebro não controla apenas a secreção de saliva nesse caso. Apenas falar sobre comida aumenta a produção de ácido gástrico no estômago, a liberação de enzimas digestivas, a motilidade do intestino, a secreção de bile pela vesícula e de diferentes hormônios produzidos no sistema digestivo, além de aumentar a temperatura do corpo.

Mas bem... Por que isso acontece? Por que só de ver um prato de feijão com arroz, meu cérebro dispara toda essa bagunça? Na verdade, você já está digerindo a comida que ainda nem comeu. Seu cérebro está preparando sua barriga para o que está por vir. Essa é a chamada fase cefálica (cerebral) da digestão. E para quê? Por que não esperar simplesmente a comida chegar à boca?

Nós comemos em refeições pontuais e não o tempo todo. (Ok, talvez algumas pessoas, e eu me incluo, comam o tempo todo, mas a maioria não.) Com isso, a comida entra no corpo em grandes quantidades em um espaço de tempo pequeno, e isso é um desafio para o nosso sistema digestivo e metabólico. O sistema digestivo e outros órgãos envolvidos como fígado, rim e tecido adiposo estão constantemente mudando seu metabolismo para lidar com a presença de comida seguida por um período de jejum entre as refeições. E essas mudanças metabólicas levam tempo. Mas o tempo entre a comida sair da boca e chegar ao estômago é de apenas 10 segundos. É muito pouco tempo para o corpo reagir! Dessa forma, essa capacidade do cérebro de antecipar o que está por vir melhora a eficiência com que a gente digere a comida, e absorve e metaboliza os nutrientes liberados, e foi selecionada ao longo da nossa história evolutiva.

Agora você não vai mais sentir água na boca no Natal da mesma forma! :)

domingo, 22 de dezembro de 2013

A droga da inteligência?


Quem leu? o/ (Fonte: bibliotecapublicadeitapiuna.blogspot.com.br)

Quem nasceu na década de 1980 provavelmente leu na escola, como livro paradidático, “A Droga da Obediência”, “A Droga do Amor” ou algum outro livro infanto-juvenil sobre “Os Karas”, escrito pelo Pedro Bandeira. (Ainda hoje eu conseguiria ler alguma coisa escrita em Código Vermelho ou traduzir uma mensagem no Código Tênis-Polar, mas deixa para lá...). Bandeira nunca escreveu “A Droga da Inteligência”. E se fosse se basear em algum remédio existente, pelo jeito, não conseguiria.

Nessa postagem, a terceira e última sobre o dopping cerebral, vou descrever o (pouco) que consegui descobrir sobre os possíveis efeitos da Fluoxetina (o famoso Prozac), do Piracetam e da Vasopressina sobre a capacidade de aprendizado de pessoas sadias. Se você está pegando o bonde andando, pode ler a primeira e a segunda postagens da série. O Prozac é um conhecido antidepressivo que funciona (mais uma vez) sobre a quantidade de neurotransmissores (substâncias usadas na comunicação entre os neurônios) presentes no cérebro. Mais precisamente, essa droga impede que as células reabsorvam a serotonina (um dos muitos neurotransmissores existentes) liberada e isso faz com que os níveis de serotonina aumentem. Já o Piracetam regula a atividade dos receptores de glutamato, ou seja, de proteínas presentes na membrana das células que sentem o quanto desse neurotransmissor está presente e passam a informação para dentro da célula. Esse remédio é indicado para pessoas com sintomas de mioclonia, ou seja, movimentos involuntários e repentinos de músculos. Por último, a Vasopressina é, na verdade, um hormônio produzido pelo corpo e que regula várias funções do organismo, principalmente a pressão arterial. Mas ele também age no cérebro e está envolvido com comportamento social e maternal, e motivação sexual.

Concentração = 0; Memória = 1; E aprendizado? (Fonte: Facebook)
E algum desses remédios podem te deixar mais inteligente? Infelizmente, parece que não, embora os estudos sobre os efeitos deles sobre pessoas saudáveis são, de modo geral, bem antigos. Por incrível que pareça, eu não conseguir achar nenhuma pesquisa sobre o efeito do Prozac sobre a capacidade de aprender ou qualquer outro parâmetro cognitivo em pessoas sadias. Além disso, existem muitos alertas sobre os efeitos colaterais do Prozac, principalmente o risco elevado de suicídio em pessoas com menos de 25 anos. Sobre o Piracetam, encontrei apenas um trabalho publicado em 1990 e com resultado negativo: a droga não teve nenhum efeito sobre a memória ou processamento de informações em pessoas sadias. Somente a Vasopressina se sai um pouco melhor. Um trabalho publicado em 1998, juntando dados de diferentes outras pesquisas, concluiu que esse hormônio parece melhorar a memória declarativa, mas não tem efeitos sobre a atenção ou outros parâmetros cognitivos. Porém, a Vasopressina deve ser administrada de forma intranasal, para agir mais diretamente no cérebro. Além disso, outros trabalhos não conseguiram ver nenhum efeito desse hormônio sobre qualquer parâmetro.

Juntando tudo o que eu pesquisei nessas três postagens, a que conclusões podemos chegar? O doping cerebral realmente funciona? Basicamente, não. As anfetaminas, a Ritalina e o Piracetam parecem não ter nada além de efeito placebo. Os efeitos do Donepezil e da Vasopressina ainda são controversos. E não existe informação científica alguma sobre a ação do Aniracetam, da Selegilina ou do Prozac (o que me faz pensar de onde tiraram as ideias para o esquema acima). Somente o Modafinil tem apresentado de forma constante efeitos positivos sobre a atenção e memória, mas não sem efeitos colaterais.

Mas o dopping cerebral nunca vai ser possível? Bem, como minha avó dizia: “O futuro a Deus pertence.”. Mas eu acho que será sim. Com os avanços da ciência farmacêutica e das pesquisas básicas sobre o funcionamento do cérebro, podemos chegar, ativamente ou por acaso, a uma nova droga que efetivamente aumente a capacidade cognitiva geral das pessoas. Creio que o problema não vai ser descobrir um meio artificial de melhorar o nosso cérebro; a grande questão será ética: devemos ou não dopar a nossa cabeça?

Quando vamos assistir uma competição esportiva, esperamos que todos os atletas estejam sob a mesma condição: usando músculos, destrezas e técnicas naturalmente desenvolvidas à base de muito treinamento. Levar vantagem usando substâncias para desenvolver alguma capacidade de modo fácil e artificial é considerado (e é) desonesto com os outros competidores e com o público. Mas e quando não há competição direta? Quando as pessoas estão trabalhando e pensando para desenvolver soluções para problemas sociais ou científicos, tentando fazer do mundo um lugar melhor para se viver (um pouco de sonho não faz mal...)? Deveríamos impedi-las de usar uma substância que as ajudem essas tarefas? Em minha opinião, não.

Mas as coisas vão ficando cada vez mais complicadas. E quando for uma competição “cerebral”? Um vestibular, por exemplo. Vamos impedir os candidatos de usar o melhoramento cognitivo e pedir uma amostra de urina durante a prova para realizar um exame antidoping? Ou vamos permitir? E se a droga for cara e só as classes mais altas tiverem acesso a ela? Vamos permitir o aumento na disparidade de oportunidades entre as classes sociais mais abastadas e as mais pobres? Ou vamos garantir que o SUS distribua o potencializador cerebral para quem não pode pagar?

As questões vão profundas e as consequências são importantes. Mas vamos todos ter que estar preparados para quando “A Droga da Inteligência” chegar.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

As pílulas da memória de elefante



Nessa segunda postagem sobre dopping cerebral, eu vou descrever o que descobri sobre os remédios Aniracetam, Donepezil, Modafinil e Selegilina e a sua suposta capacidade de melhorar a memória ou outras funções cerebrais de pessoas saudáveis. Se você está chegando agora, pode ler o primeiro texto dessa série aqui. Mas bem, vamos lá?

Para a concentração, não é grandes coisas. Mas e para memória? Será que vai? (Fonte: Facebook)

O Aniracetam e o Donepezil são remédios receitados para doentes com Mal de Alzheimer, que tem como um dos principais sintomas a perda de memória recente. Dessa forma, é lógico pensar que essas pílulas devem aumentar a memória de pessoas sadias. Porém, os remédios não funcionam necessariamente assim. Por exemplo, tomar remédio para osteoporose não vai te deixar com ossos mais resistentes que o normal. Já o Modafinil é usado para tratar pacientes com narcolepsia, caracterizada por episódios irresistíveis de sono (como o personagem de Rowan Atkinson no filme Tá Todo Mundo Louco). Por último, Selegilina é dada a pacientes com Mal de Parkinson, onde os doentes apresentam tremores, rigidez dos músculos e dificuldade de caminhar, se equilibrar e de engolir. Uma relação desses dois últimos compostos com a memória é menos óbvia.

Como esses remédios agem na sua cabeça? Novamente, esses medicamentos regulam a ação de substâncias produzidas pelo cérebro, usadas na comunicação entre as células – os chamados neurotransmissores. Eu escrevi sobre esses compostos na postagem anterior e em uma mais antiga. O Aniracetam age sobre proteínas, presentes nas células, que sentem os níveis de um neurotransmissor específico (chamado glutamato). Essas proteínas são chamadas de receptores. Esse remédio não é aprovado pela agência americana de regulação de medicamentos e alimentos e, embora eu não tenha achado informações, acho que também não vendido no Brasil. O Donepezil e a Selegilina impedem a ação de enzimas que destroem alguns neurotransmissores, como a acetilcolina e dopamina. Assim, a quantidade desses neurotransmissores aumenta no cérebro das pessoas que usam o remédio. Ambos são vendidos no Brasil, sob prescrição médica. Por último, por incrível que pareça, ninguém ainda sabe exatamente como o Modafinil age. Ele também é vendido no Brasil, mas somente com receita.

E se eu tomar essa bagaça vou ficar com memória de elefante? Bem, vamos ver. Primeiramente, eu não achei nenhum trabalho científico no Pubmed (base de dados para busca de artigos da área médica) que tenha estudado os efeitos do Aniracetam ou da Selegilina sobre a memória (ou qualquer outro parâmetro cognitivo) em pessoas saudáveis. Ou seja, não dá para dizer nada sobre eles. Afirmar que funciona ou não sem nenhum embasamento é simplesmente achismo.

Já sobre o Donepezil e o Modafinil existem alguns estudos. Em 2010, um grupo de pesquisadores alemães publicou dois trabalhos resumindo o que já tinha sido publicado sobre o efeito desses remédios sobre indivíduos sadios. Ainda não dá para ter certeza sobre a atuação do Donepezil. Alguns estudos mostraram que esse composto melhora habilidades práticas, memórias episódica, verbal, visual, semântica e espacial, tanto imediata quanto tardia, e processamento de informações. Outras pesquisas, porém, indicaram que o Donepezil não tem efeito significativo ou apresenta resultados negativos em relação à capacidade de atenção e memória verbal. O motivo das diferenças entre os estudos não é conhecido, mas os autores do trabalho alertam que devido a essas discrepâncias ainda é difícil afirmar que o Donepezil realmente ajuda a capacidade de memorização, de forma que mais pesquisas são necessárias para se sanar as dúvidas. Os efeitos colaterais parecem ser brandos, mas os voluntários relataram ter sofrido com náusea e outras complicações no aparelho digestivo, além de dor de cabeça, tontura, pesadelos e insônia.

Já o Modafinil é mesmo a pílula da memória de elefante! Utilizando os dados obtidos em diversos estudos em indivíduos saudáveis, os pesquisadores concluíram que esse remédio realmente melhora a atenção e memória, além de manter as pessoas mais despertas. Porém, não existe almoço grátis e o Modafinil traz junto uma diversidade de efeitos colaterais, que incluem dor de cabeça, tontura, problemas gastrointestinais, como náusea, dor abdominal e boca seca, aumento da quantidade de urina, taquicardia e palpitações, nervosismo, agitação, e distúrbios do sono, principalmente insônia (lembrando, claro, que ele é originalmente um remédio para pessoas com sono incontrolável, logo faz sentido...).

Antes de encerrar, nunca é demais lembrar que não sou médico e isso aqui não é receituário! Nunca tome qualquer remédio em consultar um médico antes! Até a próxima postagem, onde vou terminar a série falando dos últimos compostos, fluoxetina, piracetam e vasopressina e seus efeitos sobre a aprendizagem.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dopping cerebral: pode alguma pílula aumentar a memória, concentração, aprendizado, e te deixar manjando dos paranauês?



Há algum tempo, o David, pessoa física, foi marcado na figura abaixo no Facebook junto com a pergunta: “Será que funciona?”. Minha resposta: não sei... Na verdade, já tinha ouvido falar de uns boatos sobre os efeitos de um de remédios, a Ritalina (nome fantasia do metilfenidato), sobre a concentração e foco, mas nunca tinha estudado nada sério sobre o assunto. Então resolvi ir à fonte...

E aí? Será que é verdade? (Fonte: Facebook)

Fiz algumas pesquisas no portal do Pubmed, organizado e mantido pelo governo americano e que contém quase tudo que é publicado pelos cientistas do mundo na área médica. E existe muita coisa descrita sobre isso. As buscas correlacionando os nomes dos remédios com seus possíveis efeitos extras mostrados no esquema acima dão um total de mais de 6 mil trabalhos publicados. Se a pesquisa é feita procurando efeitos colaterais das drogas, temos quase 2 mil trabalhos. É muita coisa para ser lida e estudada. Desse modo, nessa postagem, vou me concentrar em tentar descobrir se o Adderall e a Ritalina realmente são capazes de melhorar a concentração de uma pessoa saudável. Depois, podemos voltar aos supostos estimulantes de aprendizado e memória.

Mas, antes de qualquer coisa, pelo amor de Darwin, eu não sou médico e isso aqui não é um receituário! Qualquer coisa que estiver escrita não significa que eu estou dizendo que é ou não seguro tomar qualquer coisa. A automedicação é muito perigosa e você só deve tomar qualquer remédio com aconselhamento médico, e não de um amigo (ou blogueiro...). Mas bem...

Tanto o Adderall quanto a Ritalina são usados para o tratamento de pessoas com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, síndrome que tem como sintomas hiperatividade (obviamente...), impulsividade e, principalmente, desatenção. Pensando de forma direta, se esses remédios são usados para combater desatenção, é possível que eles aumentem a concentração de uma pessoa saudável. Parece lógico, mas nem sempre funciona assim. Por exemplo, o uso de lítio, que é usado no tratamento do transtorno bipolar, não vai manter o humor de um indivíduo não doente mais estável.

Como eles funcionam? O Adderall é uma mistura de anfetaminas e age como a cocaína, aumentando liberação de neurotransmissores (substâncias usadas para a comunicação entre os neurônios) no cérebro. (Eu escrevi recentemente sobre um deles, a dopamina.) Já a Ritalina impede que as células do cérebro reabsorvam esses neurotransmissores. Dessa forma, ambos os compostos agem aumentando a quantidade de neurotransmissores no cérebro.

Em testes com ratos, tanto Adderall quanto a Ritalina induzem sintomas de vício, o que indica que os dois remédios podem ser viciantes em humanos, como a cocaína (de novo...). Dessa forma, a venda de Adderall é proibida no Brasil enquanto a Ritalina só é vendida com prescrição médica e com retenção da receita (a famosa tarja preta). Além do efeito viciante, esses remédios trazem junto uma longa lista de efeitos colaterais que incluem problemas cardíacos, convulsões, psicose, ansiedade, nervosismo, dor de cabeça, tonteira e insônia. Já não parece bom, certo?

Mas, então, diz logo: funciona ou não funciona? Parece que não. Ainda existem poucos estudos avaliando os efeitos do Adderall e da Ritalina sobre a capacidade cognitiva (ou seja, concentração, memória, etc...) em pessoas saudáveis, mas os resultados até o momento indicam que essas drogas não ajudam ou têm efeito muito pequeno.

Um estudo recente não conseguiu ver nenhuma diferença entre um grupo que tomou Adderall e outro que tomou pílula de farinha (ou placebo) quando comparados em 12 diferentes testes cognitivos. Outro mostrou um efeito interessante: quando o indivíduo testado tinha um nível cognitivo baixo normalmente, o Adderall era capaz de melhorar a nota no teste; mas se a nota inicial era alta, o remédio tinha um efeito prejudicial. Ou seja, não parece ajudar muito.

Já a Ritalina se sai um pouco melhor: existe alguma melhora na capacidade de memória das pessoas que foram testadas sob efeito da droga. Porém, quando os cientistas deram uma alta dosagem de Ritalina (como algumas pessoas usam quando não receitadas por um médico) a ratos no laboratório, eles observaram uma redução na capacidade cognitiva dos animais. Mas o mais impressionante é o efeito da Ritalina mesmo quando ela não está presente: quanto os pesquisadores deram a voluntários pílulas falsas dizendo que era Ritalina, as pessoas falaram que estavam mais atentas e concentradas, embora os resultados dos testes cognitivos mostrassem que elas estavam tão atentas e concentradas quanto antes de serem enganadas – o clássico efeito placebo! Isso talvez explique porque as pessoas insistem em tomar esse remédio e indicar para amigos, mesmo sem efeitos claros: literalmente não passa de coisas na cabeça delas!

E então? Vale a pena? Em minha opinião, claro que não! Prefiro ficar com o meu expresso duplo que tem tanto efeito quanto...