quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O mau hálito pode ter uma causa..... genética?!?


O mau hálito é um problema conhecido de muitos. Odor (horrivelmente) desagradável que sai da boca de algum indivíduo durante uma conversa ou um beijo, geralmente associado a uma péssima higiene bucal. De fato, a proliferação de bactérias na cavidade oral (gengiva, língua, etc.) pode elevar a produção de alguns produtos do metabolismo bacteriano que contém átomos de enxofre (a letra S na tabela periódica). Esse elemento é bastante lembrado por estar presente no cheiro característico de ovo podre (quem já sentiu, nunca esquecerá). Daí a origem do odor desagradável.
          
Nada que uma balinha com cheirinho bom ou uma boa higiene bucal não resolvam certo? Não necessariamente. Existem tipos de mau hálito que não são geradas por problemas na higiene bucal, mas sim por possíveis problemas genéticos ainda não descobertos.

Bom, não descobertos até agora. Cientistas de diversos lugares da Europa e dos Estados Unidos demonstraram uma causa genética para um tipo de mau hálito independente da higiene bucal. Através de estudos com famílias que apresentam esse distúrbio, foi observado que seres humanos possuem um gene (chamado de SELENBP1). Esse gene produz uma proteína capaz de metabolizar substâncias que contenham enxofre em formas inativas. Através de diferentes testes, foi observado que pessoas com mau hálito hereditário apresentavam mutações no gene que impediam essa metabolização. Desta forma, os compostos com enxofre sofriam um tipo diferente de transformação, gerando principalmente a substância dimetilsulfureto (DMS). Essa substância é a responsável pelo odor desagradável. Interessantemente, esses dados foram confirmados em camundongos. Animais que apresentavam defeito no gene de SELENBP1 também tinham maior quantidade de DMS no sangue. Os pesquisadores propõe que o DMS observado no sangue dos camundongos e dos humanos com as mutações passe para o interior dos pulmões na forma gasosa, saindo assim durante a expiração.

Os cientistas se mostraram surpresos por encontrar um gene com essa função no corpo humano. Isso porque, em geral, a metabolização de compostos com enxofre é feita por organismos que vivem em ambientes com abundância deste elemento (como, por exemplo, bactérias que colonizam áreas próximas a vulcões). Mais estudos ainda dirão todas as funções e a importância deste gene para o funcionamento do nosso organismo. Mas, desde já, quem tem mau hálito hereditário tem motivos pra comemorar. Isso porque, com a introdução de novas tecnologias, uma possível cura para essas mutações pode estar se aproximando a passos largos.

Esse trabalho, entretanto, não diminui a importância da higiene oral para evitar o mau hálito. Portanto, vai escovar os dentes, gengiva, língua, e diminua a quantidade de enxofre que você exala. Todos agradecem!

Referência:

Pol et. al. Mutations in SELENBP1, encoding a novel human methanethiol oxidase, cause extraoral halitosis. Nature Genetics, 50, 120-129, 2018.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O Arauto da Torre #12: Um é pouco, dois é bom? (ou prestando contas ao CNPq - Universal 2014)


Em 2014, eu fui contemplado com recurso para um projeto do laboratório pelo Edital Universal 2014, do CNPq. O projeto tinha duração de 3 anos, e acabou de acabar. Parte da prestação de contas (que é mostrar onde você gastou o dinheiro e os resultados que conseguiu) ao CNPq é produzir um vídeo de divulgação científica. Então aqui eu vou explicar uma parte do que fazemos no laboratório (pela primeira vez): são os resultados iniciais da tese de doutorado da Fernanda Almeida-Oliveira, sobre como os insetos barbeiros regulam o seu metabolismo. Ficou curioso? Então, clica e assiste!



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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O batente d'A Porta de Marfim?


Hoje esse blogue faz quatro anos. Tivemos quase 21 mil visualizações individuais, um pouco menos que no ano passado. A média de visualizações para cada postagem foi de 144. Nesses quatro anos, o blogue foi visto quase 62 mil vez. Desbancando a postagem do Dr. Kater, esse ano "Não, suco de melão São Caetano não é a cura do câncer" foi a página com mais acessos (mais de 6 mil, 29 % do total). Mas "Dr. José Roberto Kater e o ovo: vilões ou mocinhos?" ainda é a postagem mais vista no total, com quase 15 mil visualizações (21 % do total). A pesquisa orgânica (via google e etc.) ainda é a principal porta de entrada do blogue, correspondendo a 58 % dos acessos. E o público brasileiro é o mais ativo, com 90 % dos acessos.
 
Nossa métrica de visualizações mostra que perdemos uns 7 % em visitas. Na média de visualizações por postagem a queda chega a 27 %. Parte da culpa é da equipe: esse ano foi o menos ativo do blogue, com intervalos muitos grandes entre as postagens. Mas fico pensando se chegamos ao limite de alcance com a atual estratégia do blogue. Será que já batemos com a cabeça do batente d'A Porta de Marfim?
 
Porém, talvez tenhamos novidades para o ano que vem, com uma abordagem mais ativa! Se só a porta aberta não é suficiente, nós vamos levar a Torre de Marfim até as pessoas! Aguardem e confiem!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Uma miniaula de microbiologia: o caso do “arroz contaminado”


Há algum tempo atrás, circulou no Whatsapp um boato dizendo que universitários teriam contaminado plantações de arroz no Brasil com vírus e bactérias capazes de infectar o estômago e causar a morte de quem comesse. O governo escondeu o caso porque não teria dinheiro para retirar os microrganismos. Obviamente, o cidadão, que descobriu o segredo no melhor estilo “James Bond”, caridosamente pede que você espalhe isso para o maior número de pessoas.

Sério: por que essas pessoas inventam esse tipo de abobrinha? Essa “fan fiction” é curta, mas não o suficiente para não ter um monte de problemas, de verossimilhança com a realidade e científicos. Por exemplo, por que o governo simplesmente não joga o arroz fora? Ele é de fato tão estúpido que prefere ter uma epidemia de uma doença mortal? Ou por que raios os universitários iriam cometer tal ato de bioterrorismo? Seria tipo um trote, “os calouros que não contaminarem o arroz vão ficar carecas”? Não faz nenhum sentido.

Mas, digamos que fosse uma forma de protesto extremamente radical e sequelado contra os cortes do orçamento para investimentos em Ciência e Tecnologia (por favor, não encarem isso como uma sugestão!), seria possível contaminar uma plantação de arroz com um microrganismo mortal?

Seria muito difícil. Começando por qual microrganismo usar para contaminar a plantação. Segundo o boato, a doença começa com uma infecção no estômago. O problema que o estômago é um ambiente bem ingrato para bactérias ou vírus crescerem porque é muito ácido. Por isso, há pouco tempo atrás se imaginava que o estômago era um local livre de bactérias. Até a descoberta da Helicobacter pylori (já contei a história da descoberta dela aqui). Então a H. pylori seria a escolha? Uma escolha ruim. Mais de metade das pessoas já estão contaminadas com a bactéria, mas a grande maioria nunca vai ficar doente por isso. Uma pequena parte pode ter úlceras (que é uma ferida na parede do estômago, que dói bastante) e uma menor ainda pode acabar com câncer no estômago. Ou seja, a H. pylori está longe de ser uma bactéria mortal e logo não vai ser muito eficiente em matar pessoas.

Esquecendo então a história de infectar o estômago, os terroristas poderiam pensar em alguma outra doença, que se pega pela comida. Talvez a bactéria Escherichia coli fosse usada. A infecção por alguns tipos dessa bactéria podem causar infecções intestinais com diarreia. Algumas vezes a doença pode ser bem grave e levar a morte, mas é raro e ocorre mais em crianças pequenas e idosos. As pessoas se contaminam com a E. coli principalmente através da água contaminada (bebendo, lavando comida com ela ou tomando banho) e carne malcozida e leite fresco. Mas essa bactéria não viveria muito tempo no ambiente exposto de uma plantação de arroz, no máximo uma semana. No tempo entre a contaminação da plantação até o arroz chegar a sua casa, provavelmente a bactéria já teria morrido. Além disso, essa bactéria é pouco resistente ao calor; assim possivelmente o calor do cozimento do arroz seria capaz de matar o microrganismo e impedir a infecção (ninguém come arroz cru, certo?).

Outras possibilidades seriam a bactéria Salmonella e o vírus Norovirus. Esses dois até poderiam sobreviver mais tempo no ambiente da plantação e contaminar os sacos de arroz. Mas eles também costumam contaminar as pessoas através de alimentos crus (o Norovirus também pode passar de pessoa para pessoa). Assim, o arroz cozinhado direito teria uma chance bem pequena de contaminar alguém.

A melhor opção seria a bactéria Bacillus cereus. Essa bactéria já está normalmente associada ao arroz e outros cereais, e a infecção causa náusea, vomito e diarreia. E esse microrganismo tem algumas características que lhe dão um potencial de infecção maior que os outros da lista. Primeiro, essa bactéria é capaz de se transformar em uma forma resistente a altas temperatura e que sobrevive por longos períodos, chamada endósporo. Além disso, a B. cereus produz proteínas tóxicas chamadas enterotoxinas, que podem ser extremamente resistentes a altas temperaturas e ambientes ácidos (como o estômago). Assim, os endósporos podem sobreviver ao cozimento do arroz e depois começar a se multiplicar na panela, especialmente se a comida for deixada fora da geladeira. Quem comer o arroz então pode ter a infecção. E mesmo que o cozimento mate todas as bactérias, se elas já tiverem produzido as enterotoxinas, a pessoas que consumir o arroz pode ter os sintomas. Mas a doença raramente é fatal; a maioria dos doentes melhora após 24 horas.

Mudando um pouco mais a história original então: digamos que os universitários decidiram contaminar a plantação com B. cereus para deixar pessoas doentes (já que matar não vai dar). Como contaminar uma plantação inteira? Primeiro, os universitários terroristas precisam conseguir a bactéria. Estando em uma universidade pode parecer fácil; de fato cientistas em várias partes do Brasil estudam a B. cereus. Porém, muitos desses pesquisadores fazem análises epidemiológicas apenas, ou seja, procuram pela presença da bactéria em alimentos vendidos e em pacientes. Não necessariamente esses laboratórios vão ter amostras da bactéria estocadas. O segundo ponto, e talvez mais crítico, é como cultivar uma quantidade suficientemente grande de bactérias para contaminar uma plantação inteira. Esqueça essas coisas de filme de ficção científica; o vilão não vai chegar com um tubinho de laboratório no bolso, abrir, jogar numa planta e ver as bactérias se espalhando pelo terreno, enquanto ele ri de modo sinistro. Os terroristas iriam precisar crescer um caminhão-pipa de bactérias. Isso vai ser caro, com grande gasto de dinheiro em meios de culturas para crescer as bactérias e com equipamentos industriais com um imenso volume de produção. E eles vão precisar usar algo pouco discreto para espalhar as bactérias, tipo um caminhão tanque do corpo de bombeiros, um avião borrifador daqueles de agrotóxicos, ou um exército de universitários com aquelas máquinas borrifadoras. O que nos leva ao terceiro problema: como contaminar a plantação sem que nenhum funcionário da fazenda perceba?

Bem difícil. Talvez uma solução fosse não contaminar a plantação, mas sim os silos (aqueles locais onde os grãos ficam armazenados). Muito arroz, já colhido, tudo junto, em um local pequeno (ou, pelo menos, menor que uma plantação), fechado e abrigado do sol, da chuva e do vento. Seriam necessárias menos bactérias para contaminar todo o estoque e daria para ser feito de modo mais discreto.
Bem, vou parar de dar ideia para outras “fanfics” ou para terroristas de verdade (talvez devesse começar a escrever meus próprios livros de ficção; pelo menos eles seriam verossímeis). Mas espero ter convencido vocês que essa história de contaminar plantação de arroz é uma grande viagem.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Florais de Bach e suas baboseiras


Atendendo um pedido que chegou por e-mail (se você tem alguma sugestão de pauta, pode deixar nos comentários de qualquer postagem, ou escrever para a gente em aportademarfim@gmail.com), fui investigar os verdadeiros efeitos dos tratamentos com florais de Bach.

Os florais de Bach têm esse nome devido ao seu criador, Edward Bach, um homeopata inglês que desenvolveu esses tratamentos na década de 1930. Ele criou 38 florais usando flores diferentes, com a ideia de que cada planta seria capaz de ajudar com determinada característica mental do paciente. Por exemplo, o floral de agrimônia é usado para promover a paz e leveza interior, enquanto o floral feito com a flor da parreira ajuda pessoas dominadoras a controlar seu ímpeto de se impor sobre as outras. Para chegar a essas associações entre flor e sintoma a ser trabalhado, Bach usou a sua intuição e não o método científico com experimentos. Se ele tinha um sentimento ou emoção ruim, ele passava a mão sobre diferentes plantas e flores, até chegar a uma que aliviasse tal emoção. E a associação estava feita: aquela flor era descrita como benéfica para tratar aquele sentimento.

Os florais são misturas de conhaque com materiais derivados de flores diluídos muitas, muitas, muitas, muitas vezes. É tão diluído que não tem nem mais cheiro de flor. Segundo Bach, os extratos florais manteriam as propriedades curativas das plantas. A diluição extrema do extrato vem da formação homeopata de Bach. Mas a água onde os extratos foram diluídos manteriam as propriedades de cura pelos conceitos da medicina vibracional e de memória da água, coisas também pregadas pela homeopatia (que a gente já discutiu em outra postagem). Nenhuma dessas hipóteses tem qualquer valor científico, o que coloca o tratamento com florais de Bach no saco de pseudociências.

Mas mesmo que isso tudo possa ser verdade, os florais de Bach têm qualquer efeito sobre a saúde? De modo geral, não. Alguns artigos científicos revisaram o que já foi publicado sobre os efeitos dos florais de Bach sobre problemas psicológicos, como ansiedade, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, estresse e depressão, e sobre dor. Todos concluíram que o tratamento não tem nenhum efeito além do placebo (ou seja, tomar floral de Bach ou água achando que é floral de Bach tem o mesmo efeito) sobre os sintomas (ERNST, 2002, 2010; PINTOV et al., 2005; THALER et al., 2009; WALACH; RILLING; ENGELKE, 2001). Porém, recentemente, um trabalho de cientistas cubanos mostrou que o tratamento com florais de Bach reduziu a dor em pacientes com síndrome do túnel carpal, que causa dormência, formigamento e dor, principalmente nos dedos da mão (RIVAS-SUAREZ et al., 2017). O problema é que dois dos pesquisadores que escreveram o trabalho têm relação com uma organização que divulga os benefícios do tratamento com florais de Bach. Esse conflito de interesses reduz o valor científico do trabalho; ou você acha que alguém que vende uma cura vai dizer que a cura não funciona?

Em conclusão, ainda não se mostrou que o tratamento com florais de Bach tenha qualquer benefício sobre a saúde.

Referências:

ERNST, E. “Flower remedies”: a systematic review of the clinical evidence. Wiener Klinische Wochenschrift, v. 114, n. 23–24, p. 963–966, 2002.

ERNST, E. Bach flower remedies: a systematic review of randomised clinical trials. Swiss Medical Weekly, v. 140, p. w13079, 2010.

PINTOV, S. et al. Bach flower remedies used for attention deficit hyperactivity disorder in children - A prospective double blind controlled study. European Journal of Paediatric Neurology, v. 9, n. 6, p. 395–398, 2005.

RIVAS-SUAREZ, S. R. et al. Exploring the Effectiveness of External Use of Bach Flower Remedies on Carpal Tunnel Syndrome: A Pilot Study. Journal of Evidence-Based Complementary & Alternative Medicine, v. 22, n. 1, p. 18–24, 2017.

THALER, K. et al. Bach Flower Remedies for psychological problems and pain: a systematic review. BMC Complementary and Alternative Medicine, v. 9, n. 1, p. 16, 2009.

WALACH, H.; RILLING, C.; ENGELKE, U. Efficacy of Bach-flower remedies in test anxiety: A double-blind, placebo-controlled, randomized trial with partial crossover. Journal of Anxiety Disorders, v. 15, n. 4, p. 359–366, 2001.

Profissão Cientista #9: Dia de Ciência na E.M. Tenente Antônio João

O nosso projeto de extensão "Dia de Ciência com a Faculdade de Farmácia da UFRJ" também passou pela Escola Municipal Tenente Antônio João, na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, no ano passado. Filmei as atividades e fiz um resumo para vocês. Assista e confira!


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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ganhando peso com a idade? Culpa do macrófago!

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Você já teve a impressão de que, quanto mais velho, mais fácil de engordar? Pois é, essa sensação já foi comprovada cientificamente. No seu corpo, sua gordura fica normalmente armazenada em células especializadas, chamadas de adipócitos, que formam o tecido adiposo. Essas células são responsáveis por estocar o conteúdo de gordura proveniente da alimentação, para posterior utilização quando necessário (por exemplo, no jejum). Quando há necessidade, a gordura (estocada na forma de triglicerídeos) no interior dos adipócitos é quebrada e então liberada na corrente sanguínea para utilização por outros tecidos. Este processo chama-se lipólise, e é altamente regulada por hormônios e neurotransmissores, dentre eles a noradrenalina (responsável pela palpitação observada quando tomamos um susto, por exemplo).

Mas afinal, por que temos facilidade de ganhar peso quando envelhecemos? Cientistas americanos demonstraram que o culpado pode ser uma célula conhecida do sistema imune: os macrófagos. Utilizando modelo de camundongos, os cientistas observaram que os macrófagos (células sentinelas do sistema imune) que estão no tecido adiposo, com o avançar da idade, têm aumento de um grupo de proteínas importante, chamado de inflamassomo. O inflamassomo é o responsável por aumentar a quantidade de proteínas responsáveis por degradar a noradrenalina, como a monoamino oxidase A (MAO-A). Este resultado é interessante, visto que uma classe de medicamentos muito conhecida tem como alvo esta enzima: os antidepressivos. Para confirmar os efeitos observados, os cientistas trataram animais ‘’idosos’’ com um antidepressivo (inibidor da MAO-A), e adivinha: quantidade de noradrenalina no tecido adiposo foi restaurada, a sinalização deste neurotransmissor foi reativada, e as enzimas importantes para a lipólise foram recuperadas. Com isso, os animais apresentaram maior lipólise e diminuição no estoque de gordura.

Esses resultados ajudam a explicar os mecanismos associados com o ganho de peso em idosos. A relevância pode ser enorme. A proporção de pacientes obesos e que são idosos é bem significante (OGDEN et al, 2013). O sobrepeso é um fator de risco para o desenvolvimento de diversas doenças, como pressão alta e diabetes. Além disso, pacientes idosos, já fragilizados, perdem qualidade de vida quando também são obesos. Assim, este trabalho propõe um novo alvo para um possível tratamento da obesidade em idosos. Esse trabalho fala para você tomar antidepressivos para emagrecer? NÃOOOOO! É possível que, em algum tempo, novos estudos demonstrem que o uso de inibidores específicos da MAO-A tenham EFICÁCIA e principalmente SEGURANÇA ao levar uma possível perda de peso em idosos. Até lá, quando você se olhar no espelho e achar que engordou, culpe seu macrófago.

Referências:

Camell C.D. et al, Inflammasome-driven catecholamine catabolism in macrophages blunts lipolysis during ageing, Nature, 550(7674):119-123, 2017.

Ogden C.L. et al, Prevalence of obesity among adults: United States, 2011-2012, NCHS Data Brief, (131):1-8, 2013.